Apokatastasis

2018 | cat – casa das artes de tavira

O negro e a luz marcam estas narrativas de Henrique Vieira Ribeiro, numa dicotomia que metaforiza o início e o fim (Génesis e Apocalipse) inseridos num ciclo infinito que coloca em dúvida se o começo alguma vez existiu, ou, se o caminho se faz para trás num perseguir da sua fonte/origem (Apokatastasis).

Deixarmos o olhar vaguear por estas janelas premonitórias é transportarmo-nos voluntariamente para as consequências de um caminho definido pelo elemento que

 

 nunca aparece, mas que se pressente – o Homem -protagonista destas ficções, que quiçá pretendam representar a grande história da humanidade e da Terra. Ele, que crê ser deus de si, leva a sua morada ao limiar do sustentável, sendo que esta, que verdadeiramente o sustenta, vinga-se, despejando-se e despejando-o, para de seguida retornar, qual rosa de espinhos nascida da estática do universo.

 

Ana Vieira Ribeiro